Vi a montagem abaixo em uma das minhas páginas favoritas, o Chtodelat News. É um blog russo e também fonte de informações sobre os mandos e desmandos do todo-poderoso Putin. Pois bem, aí vão algumas imagens e notícias sobre repressão aos estudantes mundo afora.

Em Tóquio, alunos da Universidade Hosei foram proibidos de discursar e manifestar em um raio de 200 metros do campus. Tudo começou há uns três anos, quando alunos se organizavam contra a política universitária e o governo. Desde então, 107 estudantes já foram presos, segundo matéria do Japan Times.

Em Barnaul (clique aqui para achar isso no mapa... fica na Sibéria, malandro!), na Rússia, um único estudante começou uma greve de fome contra ações ilegais do Centro de Prevenção ao Extremismo (olha que nome simpático) do Ministério do Interior e acabou sendo sequestrado e apanhando que nem cachorro sem-dono. (Maiores informações você encontra aqui).

No Brooklyn, aqui em Nova York, a polícia desceu o sarrafo na rapaziada durante uma festa para arrecadar dinheiro para pagar os advogados dos alunos que realizaram a última ocupação da New School. Eu já contei a história aqui, mas as notícias sobre esse episódio da festa você lê aqui.

Em Novosibirsk, também na Sibéria, um estudante foi preso supostamente por porte ilegal de droga. Enquanto isso, alguns estudantes em Moscou saíram às ruas para protestar contra a prisão, afirmado que, na verdade, motivos políticos foram a verdadeira causa da cana-dura.
Para finalizar, o Chtodelat, atendendo ao nosso pedido, incluiu São Paulo na lista dos locais onde estudantes apanham. Veja a matéria em inglês aqui, redigida por professores da USP que estavam lá e também se indignaram com essa brutalidade.
Para as próximas Olimpíadas, poderiam incluir "sarrafada na moçada" como modalidade atlético-recreativa. Teríamos boas chances de medalha.


só pra dizer que adorei as fotos dos cachorros.
Boa noite Mr Neves,
Tenho acompanhado saborosamente vosso blog e de vez em quando me atrevo a dar alguns "pitacos", normalmente quando acho algo instigante. Confesso-lhe que não era esse o caso desses posts, que não me instigavam pelo fato de eu não ter exatamente uma idéia formada a respeito da greve na USP. Porém após mais um post colocado por ti e exatamente pela minha não certeza de quem está certo ou não nessa história toda fiquei pensando como todos têm certeza absoluta de qual lado está certo nessa quizumba (claro que metade acha uma coisa e a outra metade acha exatamente o contrário). Parece-me tudo tão preto e branco, ou azul e vermelho sei lá. Sou daltônico, mas talvez consiga enxergar mais nuances nisso do que a maioria do que leio. Vejo absurdos nos dois lados: vejo pontos de vista que não querem a composição, vejo uma guerra pseudoideológica sem um quê muito preciso, vejo animosidade, vejo violências as mais variadas, vejo proselitismo, vejo demagogia, vejo um desprezo para com a figura do outro (não importando quem seja esse outro). O pior, os dois lados dizem estar defendendo a mesma coisa: o ENSINO. será o ensino a nova palavra a ser inserida na famosa frase "Liberdade, liberdade, quantos crimes foram cometidos em seu nome"? Serenamente posso dizer, a única instituição que a meu ver agiu dentro dos limites de sua competencia e da racionalidade nesse imbróglio, ainda será aquela que será vista pelos dois lados como a grande responsável por tudo, a Policia. Sou antimilitar, mas creio que eles tenham agido dentro de suas obrigações constitucionais e lamentavelmente são a parte mais fraca desse elo, a nossa verdadeira e atual "Geni". No fim o "Zé povinho" do milico é que será execrado pelos "intelectuais" de ambos os lados. Abraços,
Caro Spencer,
Belo comentário! Bom, a polícia, aliás, sabe bem o que é ter uma liderança política que se recusa a negociar. Basta pensar no confronto entre policiais militares (que cumpriam ordem do governo estadual) e policiais civis (em greve por melhores condições de trabalho) ocorrido há pouco tempo.
Mas é também verdade que a polícia é mal preparada para ações envolvendo a população civil. Quando li nos jornais que os estudantes haviam feito um "cerco" aos policiais, dei de barato que alguns radicais haviam decidido sair no tapa com alguns PMs. O que o vídeo mostra, porém, são alunos fazendo um protesto e gritando: "Fora PM".
Qualquer polícia organizada e disciplinada não pode "cair na pilha". Em NY vi alunos gritar "fuck the police" e nada aconteceu. Agora, faça algum ato ilegal na frente um policial americano e ele vai agir, sem sombra de dúvida. Claro, os US$ 3.364 mensais que ganha um policial nova-iorquino no início de carreira fazem a diferença.
Mas há também excessos. A polícia de NY sofre denúncias de racismo e, recentemente, um rapaz foi sodomizado no metrô ao ser pego com maconha.
Pode ser que eu tenha uma visão ideologizada do problema. Para mim: 1) chamar a polícia foi um ato absurdo, de (ir)responsabilidade da reitora e do governo estadual e 2) a universidade precisa se democratizar.
A polícia "paga o pato"? Em parte sim. E talvez esse post tenha saído com esse tom. Mas não sejamos inocentes. A polícia brasileira é treinada e preparada ao estilo capitão-do-mato. Ela também precisa estar preparada para ser a polícia de um país que se quer mais democrático.
Abraço,
Rapha