
No comentário abaixo, feito a uma notícia do Estadão de hoje, alguém se dizendo piloto escreveu algo interessante sobre o acidente com o avião da AirFrance. Ele chama a atenção para o fato de muitas vezes a ação do piloto estar limitada pelos controles computadorizados da aeronave. Bom, por se tratar de um assunto extremamente técnico, não vou dar nenhum pitaco. Mas isso me lembra de um amigo na faculdade, engenheiro pelo ITA, que dizia na brincadeira (hum, talvez ele falasse sério) que seria possível fazer um programa para gerar decisões judiciais. Bastaria entrar com os dados do caso concreto e o computador geraria a sentença (juiz para quê?). Enfim, o argumento é para nos fazer pensar a relação homem/máquina.
Além disso, dá para imaginar que a tragédia irá provavelmente "melar" a Airbus em sua concorrência com a Boeing. (Clique aqui para matéria da The Economist sobre a indústria de aviões e a crise econômica e aqui para a matéria da BBC sobre os novos modelos de ambas as empresas que competem entre si).
DESABAFO DE UM PILOTO DA AIRBUS
Fri, 12/06/09 02:21 annega23, annega23@estadao.com.br
Acidente com o avião A-330 da Air France Minha modesta opinião é, no mínimo, pragmática. Aproveitando o "gancho" de opiniões, abalizadas nos colegas de aviação, temos que encarar, e assumir, que há uma linha de aeronaves ditas de "última geração" que deverão passar por sérias e urgentes reformulações no seu projeto, a exemplo do que ocorreu no passado, com o Comet (que explodia no ar devido ao perfil angular das janelas); O Electra (explodia em vôo devido à rebitagem que não resistia à vibração das hélices); O Trident e o Boeing 727 que tinham deep stall, O Zarapa que teve que implantar a quilha porque não saia do parafuso; O Bandeirante que teve que se reestruturar por completo, o sistema de compensador do profundor porque a cauda saia em vôo, etc. A linha recente da Airbus, em várias condições de vôo, sobrepuja, e por vezes chega até a anular qualquer ação de comando proveniente da cabine, o que não deixa de ser um absurdo.
Do jeito que as coisas estão, os fabricantes de hoje, dizem que uma aeronave de “última geração” é tremendamente segura, a ponto de afirmarem que seus componentes eletrônicos são infalíveis, não erram, são incapazes de provocar uma situação perigosa, anormal, ou até mesmo “atrapalhada”, então diante destas avançadas tecnologias incontestáveis, a quem culpar pelo acidente? Para os fabricantes e investidores é primordial salvar seus próprios interesses, e é aí que as coisas ficaram mais fáceis para responder e de até culpar; Só sobrou um único fator. . . Os Pilotos, (Falha humana), eles agora estão mortos, e não podem se defender. . . mortos não falam! A pergunta que fica no ar: Até quando vamos aceitar com passividade voar aviões como esses? Associações e Sindicatos não devem temer o poder econômico, principalmente quando há vidas humanas envolvidas.
Cito um exemplo: Uma manobra evasiva anti-colisão será limitada pela não-aceitação de comando brusco. Pelo mesmo viés, o fato dos comandos de vôo serem fly-by-wire totalmente potenciados eletricamente, sem qualquer backup que não seja o elétrico, simboliza necessariamente que a perda total de energia elétrica redunda inexoravelmente na perda total de atuação nos comandos de vôo! Um exemplo recente ocorreu com o Swissair FLT 111 em 1998, que se estatelou sobre o mar sem qualquer tipo de orientação e comando. Para maiores detalhes, visite o site: www.jetsite.com.br/acidentes/blackbox). Até hoje não há uma conclusão definitiva sobre a ocorrência da superposição do comando proveniente do Computador de Bordo X Comando de Cabine no acidente com o avião da TAM em Congonhas. Mesmo que se dê razão ao ilustre investigador que afirmou que o recuo das manetes tem que ser total, ao ponto de uma folga de 2 mm simbolizar que o piloto quer arremeter é de um absurdo paralisante, característica de quem não sabe para que serve um "cursor de manete". Mas esse acidente foi o 5 ° em circunstâncias idênticas. Várias operadoras, após esse acidente, passaram a incluir no treinamento de simulador o corte do motor quando tal fenômeno vier a ocorrer, ou seja, há um reconhecimento tácito de que o projeto é falho e temerário. Mas, voltando a nova geração dos Airbus, é bom lembrar que durante o vôo de demonstração inaugural em Fairbourough, a aeronave entrou voando sobre as árvores porque os computadores de bordo não aceitaram o comando dos pilotos. Mais (5) cinco acidentes idênticos ocorreram após esse. Dois incidentes de brusca variação de atitude sem comando da cabine ocorreram no ano passado com Airbus A-330 na Austrália e mais um na Nova Zelândia.Atualmente, já estamos vendo as primeiras manifestações "plantadas" pelo interesse do fabricante, no sentido de sutilmente colocar na opinião pública a idéia de que os pilotos incorreram em erro ao adentrar em turbulência com velocidade inadequada. Nada mais patético!
Qualquer piloto sabe qual a velocidade de penetração em turbulência, quanto mais os colegas de vôo internacional de uma empresa como a Air France! Mesmo que você seja pego de surpresa o ajuste é rápido: motor no "esbarro" pra' pouca velocidade; speed-brake e power off pra velocidade alta. Em segundos você se acerta, não é mesmo? A propósito, quando saímos para um vôo levamos conosco o folder contendo todas as informações necessárias, incluindo a surface prog e wing aloft prog, ou seja, ninguém vai voar sem saber o que tem pela frente. Seguramente não pode ter sido diferente com os colegas franceses, portanto a pífia imputação de desconhecimento das condições meteorológicas da rota também não pode prosperar.O AF 447 emitiu 4 wakes antes da queda, com coincidentes 4 minutos de intervalo: o 1° reportando falha elétrica no sistema principal; o 2° reportando a atuação do sistema standby operando com restrição nos comandos de vôo (spoilers, yaw damper etc); o 3° informando a perda do sistema de navegação lateral e vertical, e finalmente o 4° wake, o mergulho na vertical com despressurização (o que é previsível, pois não há sistema que aguente descida no cone "sustentação zero") . Diante disso conclui-se que em tudo se assemelha ao acidente ocorrido com o Swissair em que a aerovane ficou totalmente desgovernada, sem qualquer tipo de orientação E SEM QUALQUER TIPO DE COMANDO NA CABINE, INCLUINDO POTÊNCIA. Estamos diante, MAIS UMA VEZ, de um avião projetado por Exmos. Srs. Engenheiros, que se endeusam, dizendo-se perfeitos na criação de suas obras, e que acham que “Pilotos” só servem para “atrapalhar”. Eu particularmente sugiro que daqui por diante, a cada vôo de teste ou experiência que porventura venham a ser feitos nestas aeronaves, incluam a presença obrigatória destes projetistas e de seus entes queridos, a bordo das aeronaves. Tenho certeza absoluta de que se for tomada esta atitude, o nível de responsabilidade destes projetistas, e o conceito que fazem dos pilotos será totalmente diferente disto que temos agora.
Caricatura: © Chappatte/International Herald Tribune


Rapha,
Que bom ler o seu post semanas antes de pegar meu voo de retorno a NYC num Airbus 330 da TAM!
Gotoso!!!!
Vem com fé que dá!
Vou acender umas velinhas pro santo negão, Benê! O problema é que a prece vai ser meio capenga, pois a imagem dele tá aí em NYC...
Faz assim: acende uma vela e diz que só vai acender outra quando chegar aqui... hahahaha