Coloquei aí a sequência em que ele conversa com Bethânia (maravilhosa!) e Paulinho em um restaurante de uma praia de pescadores em Niterói. É emocionante vê-los tão novos e tão cheios de talento. Fazem uma música assim: meio que na brincadeira, tomando uma cervejinha, papeando. A cópia do Netflix é meio estranha: o diretor fala francês, não há legenda em inglês, só em japonês. Mas você entende português, certo?
Outra coisa interessante é pensar no momento político em que isso acontece. Apesar da descontração, em certa hora Bethânia fala de "Baby", que Caetano fez para ela. Ele exilado em Londres, ela no Brasil. Nunca havia escutado a música dessa perspectiva e, para ser sincero, passei a gostar da letra ainda mais. Além disso, Paulinho, ao explicar para Barouh o que são as escolas de samba, menciona como o povão era reprimido ao tentar se organizar para fazer o carnaval.
Enfim, o filme não tem nada de político, mas não dá para negar uma certa conexão que fica ali, meio escondidinha. A ditadura falava no tal "milagre", mas era através da música e da cultura (e não do governo) que alcançávamos uma projeção mundial. Claro, essa seria a "segunda geração" a contar com o reconhecimento internacional, beneficiada pela revolução que foi a Bossa Nova.

Se com o futebol o governo Médici pôde tirar uma casquinha e lucrar com a conquista do tri, ao menos com a música tínhamos garantida uma certa forma de resistência. Ou você acha que Bethânia iria posar para a foto com esse babão?


Até que enfim voltou de férias!
O samba é mesmo um cordão umbilical com a nossa terra, mas esses dias me surpreendi com o efeito de uma canjica. Era como se eu estivesse voltando uns 10 anos no tempo a cada colherada.
Um abraço,
F.
Pois é, Fabião, estamos aí. Canjica, é? rs... Seria bom voltar no tempo uns vinte anos sim. Aí não teríamos de ver nosso Mengão passando esse perrengue que passou hoje. Assim vou começar a acompanhar o baseball, cara.
Abraços,
Rapha
NãO há nada como a música brasileira para nos torturar de saudade no exterior. Nos três anos que morei aí nos EUA, a única vez que tive uma crise braba de saudades foi ao ouvir, no site de Beth Carvalho, uma gravação caseira de Cartola apresentando "As rosas não falam" para Beth possivelmente gravar (embora ele deixasse claro achar que ela não tinha voz para tanto....rs).
Quanto a Saravah, é mesmo um excelente documentário, não só pela qualidade da música e pelo modo descontraído com que é produzida, mas por captar o espírito de uma época (e com o background político que você cita e sobre o qual nunca tinha atinado ao assitir ao filme).
A tempo: Bethânia nuuuuuuuunca posaria com aquele tipinho...
Valeu a dica. Obrigadíssimo.
Ótimo os vídeos.