
Terrível o que aconteceu ontem na Universidade de São Paulo. Há comentários interessantes em vários blogs, como Biscoito Fino e Cinema & Outras Artes e também no Centro de Mídia Independente (de onde tirei a caricatura e as fotos).

Fica evidente uma coisa: a incapacidade que o governo Serra tem de negociar. Não apenas com estudantes e funcionários públicos (professores e funcionários em geral), mas também com a própria polícia (lembre do confronto entre civis e militares há pouco tempo atrás).

Serra não entende, ou não quer entender, que é preciso negociar, é preciso demonstrar que o outro lado também tem direito de ser ouvido. Permitir que a polícia aja dessa forma com agiu ontem é bloquear quaisquer canais de diálogo que possam existir.

A reitora Suely Vilela é outro desastre. Quando alunos e funcionários reivindicaram a revogação dos decretos do Serra e a garantia da autonomia universitária, ela foi contra. Entendo que a posição da reitoria é sempre complicada porque precisa mediar as reivindicações que vem de baixo com a cúpula da administração estadual. Mas, por isso mesmo, ela precisa entender que sem o barulho que estudantes e funcionários fazem (praticamente todos os anos), a universidade perderia poder de barganha.

Em um comunicado no dia 3, Dra. Suely afirma que a reitoria "não pode ser omissa quanto à realização de piquetes que obstruam o acesso aos prédios". Concordo. Mas sua incapacidade de negociar e a ação da polícia geraram algo muito pior.
Por falar em omissão, por que a reitora não agiu de forma enérgica quando uma aluna foi estuprada próximo ao Centro de Práticas Esportivas em 2006? Quando estive na USP em março deste ano, os arredores do Cepe continuam do mesmo jeito: muitas árvores, pouca iluminação à noite e nenhum guarda.
As instituições são geralmente desenhadas a fim de que suas estruturas permaneçam fiéis a certos princípios e normas, e devem ser capazes de suportar as excentricidades de alguns indivíduos que venham a ocupar os cargos de comando. O Judiciário, por exemplo, continua funcionando apesar do presidente do STF. A USP continua sendo uma universidade de excelência, apesar do governador e da reitora. Mas até quando?
Abraço e solidariedade aos estudantes, professores e funcionários que estavam no campus ontem.


Raphael,
Como alguém pode conceber um administrador (sic) truculento como Serra na Presidência? Imagine o grau de arbitrariedade a que estariam sujeitos os órgãos e servidores públicos federais.
Agradeço o link, mas não vou me estender, mesmo porque quase tudo o que tinha que ser dito e "linkado" o foi por Idelber Avelar, que fez uma "cobertura" in real time não menos do que brilhante. E disse o essencial: "O sr. José Serra não tem autoridade moral para ser Presidente da República Federativa do Brasil".
Oi, Maurício!
É, também acho difícil de engolir o moto-Serra. Ô sujeito ruim pra conversar...
Abraço,
Rapha